PREVENÇÃO DE AÇÕES TRABALHISTAS NO VAREJO

06 de março de 2026

Dados e estratégia jurídica ajudam o varejo a prevenir ações trabalhistas - levantamento recente detalha práticas que melhor beneficiam o varejo nesse contexto. Rodrigo Hong e Janice Garay, Managing Directors na A&M Performance, opinaram no Valor* sobre o assunto.

Em levantamento realizado pela A&M Performance, Performance, núcleo de excelência em performance da consultoria Alvarez & Marsal, entre 2020 e 2024 o número de ações trabalhistas contra grandes varejistas teve um crescimento médio anual de 22%, com base em dados da plataforma Data Lawyer. Em 2024, o comércio varejista foi responsável por 10% de todos os processos trabalhistas no país, de acordo com dados do DATAJUD, base de dados do Conselho Nacional de Justiça. 

Na análise de dados de grandes grupos varejistas, foi possível identificar os principais fatores associados ao aumento no volume desse tipo de ação. Falhas nos processos internos, como brechas na gestão da documentação trabalhista, históricos funcionais imprecisos, contratos inconsistentes, falhas nos registros de jornada, falhas na comunicação e alinhamento nos desligamentos entre RH, jurídico e lideranças diretas.

A ausência de mecanismos robustos de governança sobre fornecedores e prestadores de serviços, falhas na regulamentação trabalhista e avaliação ineficaz da saúde financeira, também se destacam como fator associado para esse grupo. Assim como litigância abusiva, quando advogados e escritórios especializados em ações trabalhistas aceleram a judicialização, focando em empresas do segmento varejista.

Prevenir custa menos que remediar — e os dados provam isso. Apesar do crescimento das entradas no setor, mostrado pelo estudo mencionado, é possível reverter o cenário com ações estruturadas e estratégicas.

A transformação organizacional do departamento jurídico tem se concentrado no aumento da capacidade analítica, na adoção de inteligência artificial e na maior integração com áreas operacionais e de compliance. Essas mudanças visam tornar o jurídico mais estratégico e proativo, saindo de uma função reativa para uma atuação preventiva e orientada por dados.

Na mitigação de litígios, destaca-se a análise automatizada de petições iniciais e o mapeamento da jornada do colaborador, permitindo identificar causas raízes e implementar ações corretivas na operação, melhorar a documentação e a comunicação interna, reduzindo assim a exposição a novas demandas trabalhistas.

Outras iniciativas incluem a reestruturação da gestão de terceiros (com foco em acesso, obrigações contratuais/trabalhistas e KPIs), a integração sistêmica para gestão eficiente de documentos do colaborador (ponto eletrônico rastreável, férias, avaliações, holerites, critérios de remuneração e premiação, além da digitalização de registros) e o aprimoramento das defesas jurídicas.

Após a implementação das iniciativas, já foram observadas melhorias relevantes e, em apenas dois anos, a empresa reduziu em 30% o volume de novas ações trabalhistas e aumentou em 77% os casos finalizados sem desembolso.

A experiência aponta para uma mudança de paradigma: o jurídico preventivo, integrado a dados e operações, pode ser um agente ativo de transformação e economia no varejo. Em vez de lidar com litígios, empresas que adotam uma abordagem estratégica conseguem transformar o risco em vantagem competitiva.

*Artigo original do Valor.

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